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terça-feira, 2 de junho de 2009

Não posso e não consigo

Não Posso e não consigo


Sair já não posso,
O cansaço me consome.
Não consigo me livrar,
Preciso de ar. Respirar!


Viajar não posso,
O tempo é curto.
Não consigo ir,
Necessito rir. Partir.


Cantar não posso,
Não sei.
Não consigo nenhuma nota,
Quero um dó. Pra quê?


Sentir não posso,
Eu tento.
Não consigo ter emoção,
Preciso da canção. Reflito.


Amar não posso,
Eu quero.
Não consigo entender.
Por quê?


Para respirar,
Para sentir,
Para amar,
Partir,
Pra quê?


É assim que eu permanecia, nesse meu mundinho de “não posso” e “não consigo”. Colocava limites a mim mesma. Regrinhas que não havia necessidade, onde só atrapalhava, me podava para uma vida mais livre, mais suave, repleta de acontecimentos bons e chances de ser feliz.


O não posso me permitia a ficar presa numa cela, onde só eu poderia ocupar. Os outros, quando me visitavam, permaneciam distantes, não se achegavam, pois eu não permitia. Não posso nada e ninguém tem nada com isso. Então, os outros se foram. E eu continuei só.


Tentei me libertar. Mas o não consigo estava ainda a me acompanhar. Eu quero me livrar, mas não consigo, eu tenho tempo, mas não consigo, eu tento, mas não consigo, eu não sei... Não insista, NÃO CONSIGOOOOO!


Continuava presa, quando apareceu um menino, me olhou bem nos olhos e disse:


_ Você precisa viver, precisa se libertar.


"A vida, para os desconfiados e os temerosos, não é vida, mas uma morte constante." (Juan Luis Vives)


Refleti sobre o que ele disse. Mas uma voz sussurrava em meu ouvido “Você não pode, você não consegue”.


O menino continuou:


_Só o amor liberta.


Então eu pensei em minha vida passada, eu dispensei todos que me amavam, eu não amei suficiente, eu não demonstrei meu amor e todos se afastaram. Eu posso voltar a amar.


A voz continuava... “Você não pode, você não consegue”.


Já estava debilitada, desfalecendo.


Meu menino gritou:


_ Eu amo você, não morra! Você é minha vida, se você se for eu morrerei.


Meu coração acelerou, eu senti, senti a voz do amor.


Em um salto me reergui e olhei para o meu anjo, meu menino.

Ele já não se encontrava, mas sentia sua presença, e era esta que me dava forças para continuar.


Consegui sair, partir para uma vida nova, para uma vida de esperança, de oportunidades, de amor.


Meu menino, meu sonho.


Ele me ensinou a fazer a diferença, a dar valor à vida, apreciar a beleza e ter fé em mim e nos outros.


“Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade.” (Alexander Lowen)


Eu posso, eu consigo.
Débora F.

Vida que me foi dada,

Doada em seu esplendor.

Amada, amor.

Voei nas asas da águia,

Admirei o por do sol.

Me encantei,

Renasci tamanha beleza.

Andei caminhos distantes,

Senti, chorei.

Amigos, amantes.

Subi na mais alta montanha,

Me emocionei, beijei.

Vida minha,

Respirei o amor.

Ultrapassei barreiras,

Sonhei, me entreguei.

Vida minha.

Eu sei.


Débora F.