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domingo, 9 de agosto de 2009

Saudade ao luar

Saudade ao luar


O uivo de um lobo se escuta ao longe,
Refletindo em mim a magnitude de seu som.
Vejo-o através da névoa,
Vislumbro-o em sua pose imponente suplicando á lua,
Exaltando com sua melodia estridente.
Reajo a ele, me aproximo...
O luar se faz em reflexos dourados,
Reluzindo minha ousadia em querer tocá-lo.
Vejo-me sonhando, querendo-o.
Ele se vai, afasta de si o anjo que se aproxima.
Ousado, seu uivo trêmulo abala os ápices do amor.
Arrojado, seu olhar provoca a mais suntuosa dos seres.
O encanto do luar se desfaz, o inevitável acontece.
O encanto do amor se quebra, a angústia aconchega.
O tempo se foi, desfez o amor e o encanto se quebrou.
A agonia da lembrança se faz...
Em noites de luar me vejo a lhe seguir,
O que me resta de ti?
Saudade em prantos recai em meus...
Meus sonhos...
Mesmo assombrada, meio dormindo, meio acordando,
Não sei como vim parar aqui...
O luar se faz só.



Débora F.

Imagens: Google

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Liberdade

Liberdade


Estava presa, trancafiada há muito tempo. Não eram grades que me mantinham ali, estava numa redoma, incrivelmente invisível, mas que me mantinha estagnada, imóvel em meu próprio cárcere.
Dessa redoma eu podia ver o mundo, interagir com ele. Mas eu fazia conforme seu desejo, suas vontades.
Ele cuidava de mim, me mantinha segura. Dizia-me o que era certo e o que era errado. Sua voz era um cântico onde eu submissa aos cuidados seus, o ouvia atentamente.
Ele, sob sua aparência enganadora me dirigia, me levava aos encantos seus. A redoma era seu manto, a camuflagem perfeita.
Um dia, enfadada de ficar nesse mundo só meu, sendo cuidada por um carcereiro que só sabia me conduzir, resolvi me rebelar.
A redoma era árdua, inabalável...
Mas eu era mais, neste momento eu me tornei mais forte, inflexível. O empurrei, não com minha força física, mas com a força de meus sentimentos, de meus anseios, de minha vontade de viver, de ser feliz, não só por um momento, mas completamente feliz para sempre, nem que eu própria tenha que transformar minha vida em um eterno CONTO DE FADAS.
Neste momento, meu pobre carcereiro sumiu como por encanto, ele provou a maçã, ele tomou a poção que o levaria para sempre.
Essa redoma que há muito me governava, era somente o “Medo” que estivera sempre presente em minha acomodada vida.
Liberdade, liberdade... A mais linda palavra que agora faz parte de minha existência.
Determinei neste instante, caminhar, voar alto, ultrapassar obstáculos, escalar montanhas, pular de pára-quedas, nadar nua, cantar numa boate, atravessar a rua para comprar uma simples coca-cola... Eu só quero ousar, me encontrar e se for para fazer algumas loucuras, tudo bem, eu não mais receio, aquele “medo” sumiu! Confesso que ainda tenho um pouco, mas não é o mesmo que me fazia de boba e não me deixava viver. É um medinho leve, que faz parte de mim.
Agora eu sou uma pessoa melhor, me encontrei, me aceitei, amo e sou amada.
Todos os dias quando abro meus olhos para o lindo amanhecer, agradeço a Deus por minha vida, por mais um dia.
Levanto-me e olho no espelho, e me vejo, como realmente eu sou... Simplesmente uma mulher que agora sabe viver. Que possui algumas cicatrizes, mas que hoje entende que em toda história há seus momentos de dor, mas também de felicidade e o deleite do prazer.
Ao caminho do trabalho, já não fecho os olhos, agora eu não só olho, como vejo, aprecio todos os encantos da natureza, todas as pessoas que passam por mim e que um simples bom dia faz o meu dia mais próspero.
Desempenho minhas atividades profissionais, não porque sou obrigada, mas porque gosto, amo estar ali, onde o lugar me aceita, as pessoas me acolhem e eu... Sou grata.
Quando estava presa... Eu não conhecia o que era sorrir, amar, sonhar, agradecer. O medo de conviver era o que me deixava alheia ao mundo.
Hoje eu me aceito,
Hoje eu acredito em mim,
Hoje eu sei agradecer,
Hoje eu me cuido,
Hoje eu tenho cuidados com o meu próximo,
Hoje eu tenho mais amigos,
Hoje eu adoro o nascer do sol,
Hoje eu amo o anoitecer,
Hoje eu amo viver,
Hoje eu amo,
Hoje eu sou feliz...
Amanhã, serei muito mais.



Débora F.

Crédito das imagens: Google

sábado, 1 de agosto de 2009

Destino, esse desconhecido


Destino,
Esse desconhecido
Flagelado coração,
Quente e frio, não se sente...
Inesperada paixão incontida,
Surge no ápice de meu martírio.
Um homem sensual,
Solidão aconchegante,
Um risco de se apaixonar.
Ó príncipe dos mares...
Que se achega, se acomoda...
Rouba-me...
Ladrão de sonhos, larápio do amor...
Felicidade momentânea.
Sonhos entrelaçados, amores dissimulados...
Mais que o acaso, o encanto ao luar.
Coração capturado, velado.
Ó príncipe dos mares...
O preço da conquista...
Amar sem medo esse misterioso nobre,
Na infinita odisséia do mar azul,
Sob estrelas e o olhar de Órion.
Uma noite de desejo, uma vida de paixão...
Ó príncipe dos mares.
Pirata do amor...
Felicidade roubada.
Meu destino te amar...
Seu destino... Uma noite,
O mar é seu refúgio.

Esse desconhecido.

Débora F.

sábado, 25 de julho de 2009

Eu percebi, nós percebemos

Eu percebi, nós percebemos
Um dia percebemos que nossa infância se foi e que não voltará mais, que os momentos especiais entre uma brincadeira e outra, ficou, que as canções se tornaram uma suave lembrança.
Um dia percebemos que não há mais aquele café da manhã com a família antes de ir para a escola, que ouvir música no quarto com as amigas não acontece mais e que brigar com o irmão por qualquer coisinha, ficou, como alegres momentos, felizes momentos onde o tempo se encarregou de afastar.
Um dia percebemos que o amor pode acabar, que podemos nos apaixonar mais de uma vez e que também sofremos desilusões. Percebemos que não existe príncipe encantado, que os “FELIZES PARA SEMPRE” só acontecem em contos de fadas.
Um dia percebemos que existe “céu”, que é quando quem amamos fazem essa viagem, para nos confortar e não sofrermos acreditamos que eles estão em um lugar lindo, num campo verde coberto com milhares de flores e “bem”.
Um dia acreditamos que estamos neste mundo para fazer algo produtivo, para fazer a diferença, acreditamos num mundo justo, onde todos possam viver com dignidade, amor e união.
Um dia percebemos que o mundo é vilão, que as pessoas se usam, se suportam, se compram. Percebemos que não há justiça, não há igualdade, não há amor.
Um dia percebemos que estamos aqui de passagem, que o tempo é curto, que a vida de antes se foi, que o presente é somente um dia, uma hora, um segundo para aguentar, para levar.
Um dia percebemos que o futuro não idealizamos mais, percebemos que a esperança de uma criança se foi quando o brincar se tornou um jogo... Jogo de sobrevivência.
Um dia percebemos que o primeiro amor deixou marcas, e que não acreditávamos que antes de amar um outro teríamos que nos aceitar mais, nos amar mais. Pois amores vem e vão.
Um dia percebemos que esse amor fez com que eu ficasse descrente, que não confiasse mais, não tentasse mais.
Um dia percebemos que o tempo estava passando, que estávamos sós nesse idílio. Percebemos que a solidão era nossa companheira, nossa cúmplice, nossa aliada.
Um dia percebemos que enquanto ainda batia meu coração eu pudesse ter feito a diferença. Que enquanto ainda tivesse um sopro de vida eu pudesse ter pelo menos amado mais, me importado mais, vivido mais.
Um dia percebemos que a morte não muda ninguém, mas a vida sim...
Quem sabe um dia, quem sabe...
Viver primeiro e morrer depois, mas sendo o protagonista de sua própria história.


Eu percebi tarde demais.
Débora F.