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domingo, 6 de dezembro de 2009

Tramas do amor


Tramas do amor

Quando eu o conheci, senti que tudo o que eu tinha vivido até aquele momento não fosse nada... Sabe quando você está desprevenida, caminhando calmamente, pensando em sei lá o que, então de repente um vento te despenteia toda. E o pior, não dá tempo de se arrumar para aquela reunião importante que não poderia faltar. Você me despenteou... Meu cabelo tão certinho e então...
Sei...
Nossa, e a cada dia meus pensamentos iam a você, todos sem exceção. Mas eu lutava contra, fingia que não era você, fingia que não era comigo. Dava a impressão que estávamos contracenando no filme “A casa do lago”, onde vivíamos em épocas diferentes e nunca poderíamos nos encontrar.
Eu não podia aceitar algo tão forte assim, esse sentimento voraz que se instalara. Eu caprichava em minhas falas bem ensaiadas de boa amiga, mas por dentro meu coração ficava descompassado ao te ver e enciumado em te perder.
Perder o que nunca se teve não existe.
Sei...
Meus sentimentos foram crescendo, à medida que o tempo passava, eu o admirava mais, eu o cobiçava além. Você passou a ser meu sonho de consumo. Sabe aquele carrão que você sonha desde a adolescência, e pensa: “Um dia ainda vou ter um desses”. Pois é, eu pensava... “Quero você desesperadamente”. Mas você não tem preço. E eu continuava despenteada, por mais que eu tentasse, não conseguia me arrumar.
Sei...
Esse amor me calava, eu não conseguia me expressar. Eu que sempre fui boa com as palavras, fiquei muda esse tempo todo. Fiquei covardemente deixando o meu amor crescer e você se afastar. O caminho que nos encontrávamos se limitava a uma única via... Mas, você ia e eu voltava... Quando você vinha, eu o afugentava. E nesse ínterim, meu cabelo continuava desarrumado.
Sei...
Meus desejos eram maiores, eu precisava confessar... Você tinha que entender que eu o amava mais que tudo, que meus sentimentos eram puros, reais. Que eu faria qualquer coisa por você porque meu coração te pertencia, que a cada batida ele só te sentia. Meu problema era grave, nenhum médico conseguia diagnosticar, nenhum remédio aliviava. Os médicos diziam: “Seu coração não tem cura ainda, quem sabe se você arrumar um pouco o seu cabelo”. A dor de te amar começou a fazer parte de minha existência, comecei a me acostumar. E você não acreditou.
Sei...
Fui então entendendo, sabe quando nossa vida se torna parecidíssima com novelas mexicanas!? A comunicação é péssima e o enredo pior ainda. Pois é, nós dois, os atores principais sendo cometidas por tramas estranhas, coincidências infelizes e no final... Só Deus sabe.
Quando olhei no espelho pensei... “Meu cabelo está pior do que antes, vou ter que ir embora para o México”.

Sei...
É, eu sei que você sabe, sei que também eu, não posso mais lutar por você. Perdi-te sem nem ao menos te ter. Sei também que esse amor que sinto vai me acompanhar, viverei com ele em mim. Pelo menos eu terei alguma coisa sua: “O meu amor por você”.
Amanhã vou ao cabeleireiro, quem sabe... Quem sabe...

“O amor consentido, é amor para a vida. É amor eternizado... Guardado a sete chaves.”

Débora F.

Crédito das imagens: Google